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24 junho, 2015

Tristeza no mundo sertanejo, morre o cantor Cristiano Araújo


Após sofrer um gravíssimo acidente de carro na BR-153, entre Goiatuba e Morrinhos, em Goiás, na madrugada desta quarta-feira, o  cantor Cristiano Araújo, de 29 anos, morre no Hospital de Urgências de Goiânia, as 8h30 da manhã, para onde o cantor havia sido transferido.
A namorada, Allana Coelho Pinto de Moraes, de apenas 19 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O segurança Ronaldo Ribeiro e o empresário Victor Leonardo, que também estavam no veículo,  tiveram ferimentos leves e passam bem. 


20 fevereiro, 2015

Versão mais potente do HIV identificada em Cuba


Cientistas identificaram uma cepa do vírus HIV mais rápida e agressiva que encurta em 7 anos o tempo de manifestação da doença.
Dentro do corpo humano, a linhagem conhecida como CRF19 é capaz de evoluir três vezes mais rápido que outros subtipos. Pode levar à Aids em menos de três anos, sendo que o tempo médio para a manifestação da doença é de 10 anos. O CRF19 foi detectado pela primeira vez em partes da África em 2005, mas recentemente causou o que parece ser uma epidemia em Cuba.

“Os médicos cubanos notaram que havia mais e mais pacientes que estavam progredindo para a Aids muito mais rápido do que estavam acostumados”, explicou Anne-Mieke Vandamme, professora do Instituto Rega de Pesquisas Médicas, na Bélgica, e responsável pela detecção da nova cepa, à Voice of America. A pesquisa, publicada na revista EbioMedicine, também contou com a participação de cientistas portugueses, colombianos, cubanos e de um especialista do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz, da Fiocruz.

O CRF19 já é a terceira cepa mais comum no país latino, afetando entre 17% e 20% dos infectados pelo vírus da Aids. No entanto, os pesquisadores atestam que nenhum dos contaminados pela nova cepa apresentou resistência maior ao tratamento com antirretrovirais disponível. De acordo com Vivian Kourí, do Instituto de Medicina Tropical de Havana e participante do estudo, a possibilidade de que a terapia tradicional seja eficaz ainda é a mesma.

Entre os infectados com a nova cepa, uma parte significativa dos pacientes é heterossexual e relatou uma tendência menor a usar proteção durante as relações sexuais. O novo cenário preocupa os médicos, pois muitos pacientes podem ter desenvolvido a doença antes mesmo de saber que foram infectados pelo vírus HIV. Várias das pessoas incluídas no estudo — infectadas pela nova cepa e pelas já conhecidas — relataram que foram submetidas a testes que deram falsos negativos um ou dois anos antes de terem a doença manifestada.

Os testes tradicionais de HIV só costumam detectar o vírus algumas semanas depois da infecção, o que pode causar alguns falsos negativos antes do diagnóstico final da doença. Depois que aparecem os primeiros sintomas, muito semelhantes aos de uma gripe, o vírus costuma entrar em um período latente, durante o qual se multiplica no corpo sem dar sinais da contaminação. Esse prazo de instalação do HIV pode levar até 10 anos, até que a Aids se desenvolva e afete o sistema imunológico do paciente.

Rearranjo
O estudo analisou amostras de sangue de 95 infectados: 52 que sofreram uma rápida progressão da Aids, 22 que não tinham desenvolvido a síndrome e 22 que haviam sido diagnosticados com a doença há muito tempo. Os pesquisadores identificaram a nova cepa em nove, todos integrantes do grupo que chegou à doença antes do previsto. “Esse estudo mostra, pela primeira vez, a associação de uma variedade do HIV que circula em Cuba com a rápida progressão para a Aids”, declarou Kourí.

Analisando os casos a fundo, os pesquisadores descobriram que o CRF19 é uma combinação dos subtipos A, D e G do HIV. “Acredita-se que essa recombinação pode gerar uma cepa mais patogênica se os fragmentos genômicos de diferentes subtipos se unirem em um vírus que se replique com mais facilidade, mas nenhuma evidência para isso havia sido encontrada”, ressalta o estudo divulgado na EbioMedicine,

A combinação teria dado ao patógeno a capacidade de acionar uma carga viral bastante alta ao organismo humano, acelerando, assim, a resposta imune. Mas, em vez de combater o vírus invasor, a produção acelerada de linfócitos acaba instalando o HIV ainda mais rápido, pois o vírus se multiplica justamente nas células de defesa.

Segundo Vandamme, há dois tipos de correceptores que o HIV pode usar nesse processo: o CCR5 e o CXR4. “Na progressão normal do HIV para a Aids, geralmente o vírus quase sempre começa usando o CCR5 e, então, muda, para o CXCR4 depois de muitos anos. Depois disso, a progressão para a Aids acontece muito rápido”, ensina. O processo no caso da contaminação pelo CRF19 parece ser mais ágil, acreditam os cientistas.

18 mil em tratamento
Com uma população de 11,1 milhões de pessoas, Cuba registrou 22 mil casos de Aids, sendo que 18 mil infectados sobrevivem com a ajuda de tratamento. Entre 1,2 mil e 1,8 mil pessoas são diagnosticadas com o vírus HIV no país todos os anos, das quais de 13% a 16% acabam desenvolvendo a Aids.

Molécula artificial pode virar vacina

Uma equipe de cientistas dos EUA testou em macacos uma substância contra o vírus da Aids que apresentou resultados promissores. Trata-se de uma molécula artificial que imita um anticorpo do sistema imune humano e se mostrou eficiente durante mais de oito meses de teste. Os resultados, publicados na edição desta semana da revista Nature, abrem a perspectiva para o desenvolvimento de uma vacina.

Os cientistas desenvolveram a molécula eCD4-Ig com base no mecanismo de infecção do vírus. O medicamento é feito a partir dos mesmos receptores usados pelo HIV para invadir as células de proteção do corpo e se reproduzir. A molécula combina as chaves celulares com um fragmento de anticorpo, criando uma armadilha para o vírus. O HIV é “enganado”, conectando-se ao medicamento por conta própria, como se estivesse invadindo um leucócito. Assim, é neutralizado pelo anticorpo artificial.

No laboratório, a eCH4-Ig teve um desempenho superior a todos os anticorpos naturais atualmente usados para combater o patógeno. Para testar o composto em animais, os pesquisadores uniram a molécula artificial a um vírus inofensivo e vacinaram quatro macacos. A substância foi produzida dentro do corpo das cobaias, instalando um sistema de defesa.

Durante 34 semanas, os bichos receberam injeções com alta dose do SIV, a versão símia do HIV, mas nenhum dos animais foi infectado. Todos os macacos que não foram vacinados com a nova molécula morreram ao serem submetidos à mesma dose do vírus. “Desenvolvemos um inibidor muito poderoso e de espectro muito amplo que atua sobre o HIV-1, o principal vírus da Aids presente no mundo”, explicou à Agência France-Presse Michel Farzan, um dos cientistas que coordenou os experimentos.

Novos testes
O vírus recombinante adeno-associado (AAV) foi o escolhido para se combinar à molécula criada. Ele não causa danos em humanos e pode ter efeitos prolongados. Já a substância desenvolvida é fruto de vários anos de pesquisa realizada principalmente pelo Scripps Research Institute, um centro de pesquisa sem fins lucrativos com sede na Flórida. “É muito criativo. Trata-se de um avanço”, anima-se a pesquisadora Nancy Haigwood, da Oregon Health & Science University, em um artigo publicado na mesma edição da Nature.

O grupo espera realizar mais experimentos em cobaias antes de passar para os humanos. “Precisamos fazer muitos outros estudos em macacos para ver se acontece algo de estranho”, ressalta Farzan. Mas os pesquisadores já adiantam que, por ser artificial, a molécula deve ser mais resistente às mutações do HIV do que os anticorpos naturais usados em pesquisas contra o vírus.

"Desenvolvemos um inibidor muito poderoso e de espectro muito amplo que atua sobre o HIV-1, o principal vírus da Aids presente no mundo” - Michel Farzan, integrante da pesquisa

Fonte: diariodepernambuco

Aumenta número de enterros sem precauções em países afetados por ebola

Serra Leoa e Guiné, atingidas por uma epidemia de febre hemorrágica ebola, registrou recentemente um aumento dos funerais sem precauções, podendo assim contribuir para a propagação da doença, alertou nesta quinta-feira (19/02) a Organização Mundial da Saúde (OMS). 
Guiné listou 39 enterros em situação de risco e Serra Leoa registrou 45 na semana encerrada em 15 de fevereiro, de acordo com um relatório da OMS divulgado na quarta-feira.

Cuidados adequados com os cadáveres altamente contagiosos de pacientes com ebola são fundamentais para evitar mais contaminação, que pode ocorrer durante o tradicional banho mortuário. A OMS também chamou a atenção dos centros de tratamento especializados em caso de sintomas, observando que mais de 40 novos casos confirmados de ebola só foram identificados nos dois países após a morte das pessoas infectadas em suas comunidades de origem.

"Essas pessoas não receberam o tratamento que poderia ter salvo suas vidas, e além disso outros membros da comunidade estiveram em perigo de exposição ao ebola", apontou a agência da ONU. Segundo a OMS, o número de "incidentes de segurança" também aumentou na Libéria durante a semana passada depois de rumores de que o vírus estava nas seringas utilizadas para vacinações de rotina.

Até 15 de fevereiro, pelo menos 23.253 pessoas haviam sido infectadas com o ebola, dentre as quais pelo menos 9.380 morreram, em sua maioria em Serra Leoa, Guiné e Libéria, segundo dados oficiais, provavelmente, muito abaixo da realidade.

Na semana passada, Guiné relatou 52 novos casos confirmados e Serra Leoa, 74, uma ligeira diminuição em ambos os países em relação à semana anterior. Libéria, que durante muito tempo foi o país mais afetado pela epidemia, relatou apenas dois novos casos.

A epidemia no oeste africano, a pior desde a identificação do vírus na África Central em 1976, teve início em dezembro de 2013, no sul da Guiné.

O vírus é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pacientes com sintomas como febre, vômitos e sangramento.

Fonte: diariodepernambuco

10 janeiro, 2015

Marchas em memória de vítimas de atentado reúnem milhares na França


Milhares de pessoas foram às ruas de cidades francesas neste sábado (10) para participar de marchas em memória das vítimas dos ataques terroristas realizados nos últimos dias na França. Em Nice, no litoral francês, a polícia informou que cerca de 23 mil pessoas participaram da passeata, segundo o jornal “Le Figaro”.

A marcha lembra especialmente os 12 mortos no ataque à redação do jornal “Charlie Hebdo”, ocorrido na última quarta-feira (7) em Paris. Entre as vítimas estão dois policiais e quatro renomados cartunistas. No dia seguinte, uma policial morreu em um ataque que a polícia disse ser relacionado.
Nesta sexta-feira (9), operações simultâneas encerraram dois cercos policiais que estavam em andamento na França, matando os irmãos Chérif e Said Kouachi, suspeitos do massacre no jornal "Charlie Hebdo", e Amedy Coulibaly, um sequestrador que mantinha reféns em um mercado em Paris.
Outros protestos em homenagem às vítimas também foram realizados no município de Pau, onde 30 mil pessoas se reuniram – a cidade tem 80 mil habitantes, segundo o “Le Monde”

Em Orleans, 22 mil pessoas foram às ruas, também de acordo com informações policiais. A concentração principal foi no entorno de uma estátua de Joana d’Arc.

Além dos protestos deste sábado, uma grande marcha pela República, a favor da liberdade de expressão e em memória das vítimas dos atentados foi convocada para as 15h deste domingo (11) em Paris.
Diversas autoridades francesas e também de outros países europeus confirmaram sua presença. 

Segurança
Para garantir a segurança na marcha, a França anunciou o envio adicional de 500 militares à região de Paris como parte do reforço da operação antiterrorista Vigipirate, que foi mantida em alerta máximo.
A medida ocorrerá em duas etapas, segundo o Ministério da Defesa. No domingo, 1.350 militares participarão da segurança na cidade, de acordo com a France Presse.
Segundo o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, que participou em uma reunião da célula de emergência do governo neste sábado, o plano de alerta antiterrorismo na região parisiense, elevado na quarta-feira passada, será mantido nas próximas semanas e será reforçado ainda mais, depois dos ataques dos últimos dias.
"Dado o contexto, estamos expostos a riscos. É importante, portanto, que o plano Vigipirata (de alerta), que foi aumentado na região de Paris e que foi alvo de medidas particulares no resto do país, seja reforçado no curso das próximas semanas", afirmou o ministro ao final de uma reunião de crise no palácio presidencial.
Ele também confirmou que a França adotou todas as medidas necessárias para garantir a segurança nas manifestações pela liberdade de expressão previstas para este domingo.
"Foram adotadas todas as medidas para que esta manifestação possa acontecer em um clima de recolhimento, respeito e segurança. Todas as disposições estão adotadas para garantir esta segurança", enfatizou.







 Fonte: G1

05 janeiro, 2015

A Febre Hemorrágica do Ebola


Em 1976, no antigo Zaire, hoje República Democrática do Congo (RDC), uma estranha e desconhecida doença caracterizada por febre alta, hemorragias na pele e nos órgãos internos, começou a acometer os moradores de uma pequena cidade ribeirinha chamada Yambuku. A mortalidade chegou a quase 90% e chamou a atenção das autoridades. Após auxílio internacional, um grupo de pesquisadores descobriu que o agente causador era um vírus filamentoso da mesma família do Marburg descrito na Alemanha, quase uma década antes. O vírus foi batizado como Ebolavirus (pronuncia-se ébola) dado que a doença já era conhecida como Febre Hemorrágica do Ebola, segundo o rio que banhava a cidade, tributário do Mongala que, por sua vez, desemboca no grande rio do Congo.

No mesmo ano, nas cidades de Maridi e Nzara, Sudão do Sul, a mais de 1000 km em linha reta ao norte de Yambuku, uma epidemia com características muito semelhantes também eclodiu. Pesquisadores encontraram uma variante do mesmo vírus do Ebola nos pacientes acometidos. Outras epidemias surgiram no final da década de 70, não só na África, o que, ao fim e ao cabo, permitiu a identificação de 5 sorotipos da família Ebola: 1. Bundibugyo ebolavirus (BDBV); 2. Zaire ebolavirus (EBOV); 3. Reston ebolavirus (RESTV); 4. Sudan ebolavirus (SUDV); 5. Taï Forest ebolavirus (TAFV). O RESTV foi encontrado em macacos importados de Mindanao, nas Filipinas, para Reston, Virginia, nos Estados Unidos e não é considerado causador de doença humana.

O comportamento epidemiológico estranho do Ebola não parou por aí. Após ter aparecido na África em 1976 – 1979, ele simplesmente sumiu das estatísticas até 1994. Acredita-se que permaneceu oculto, circulando em seus reservatórios naturais. Um reservatório natural de um patógeno é um hospedeiro, animal ou inseto, que por não apresentar as características da doença, “convive” com o agente de forma pacífica. No Brasil, tatus são reservatórios para doença de Chagas e morcegos podem abrigar o vírus da raiva. O problema é que, no caso do Ebolavirus, esse reservatório, até hoje pelo menos, não foi confirmado, suspeitando-se de roedores e morcegos já que seu primo, o Marburg, tem como reservatório um morcego de caverna (o Rousettus aegyptiacus).

A Febre Hemorrágica do Ebola é o protótipo de uma zoonose. Uma zoonose é uma doença transmitida por animais (e.g. Raiva), e também não foram encontrados vetores para a doença. Um vetor é um bicho (pode ser animal ou inseto) que transmite determinada doença (e.g. o mosquito da Dengue, Aedes aegypti). O comportamento esquivo das epidemias poderia ser explicado por situações que alterariam o ecossistema dos reservatórios proporcionando altos índices de infecção nos humanos de tempos em tempos.

Quadro Clínico

O período de incubação da doença é de 4 a 10 dias (variando de 2 a 21). É, logo de início, uma doença sistêmica (como são por exemplo, os casos de infecção generalizada por bactérias – sepse -, as vasculites de causas imunológicas, a pancreatite aguda necro-hemorrágica, grandes queimados e politraumatismos extensos), o que dificulta seu tratamento e aumenta sua gravidade. O paciente sente-se extremamente indisposto, com dor abdominal, náuseas e vômitos (que podem conter sangue), diarreia (com ou sem sangue), falta de ar, tosse, pressão baixa, dor de cabeça, confusão mental e coma. Podem ocorrer hemorragias cutâneas e viscerais e a pele costuma descamar para cicatrizar ad integrum nos sobreviventes. Um quadro chamado de coagulopatia intravascular pode ocorrer e é, em geral, fatal. Virtualmente, todos os vasos sanguíneos do organismo podem sangrar e o quadro é realmente dramático. Tal problema não é, infelizmente, incomum em casos graves causados por outras doenças e não é uma exclusividade do Ebola. A Dengue, por exemplo, é a febre hemorrágica mais comum do planeta.

Mortalidade

A virulência do Ebola parece depender do sorotipo causador. A mais letal parece ser a EBOV seguida pela SUDV, com 60–90% e 40-60% de case-fatality (porcentagem de pessoas que contraíram a doença e que vieram a falecer dela, direta ou indiretamente), respectivamente, o que é muito. Devemos lembrar, entretanto, que tais epidemias ocorreram em locais onde os cuidados médicos estavam longe de ser ideais o que pode falsear as estatísticas. De qualquer forma, é uma doença muito grave.

Modo de Infecção

O Ebolavirus parece penetrar no organismo humano através de superfícies mucosas, lesões cutâneas, ferimentos ou pelo sangue. Muitas das infecções causadas em humanos, em especial o grande contingente de agentes da saúde, parecem ter ocorrido pelo contato direto com pacientes infectados. Partículas de RNA vital foram encontradas no esperma e secreções vaginais de pacientes, bem como em outros fluidos como secreções nasais. Ferimentos acidentais por agulhas e material contaminado são importantes rotas de infecção. As epidemias africanas da década de 70 foram atribuídas ao consumo de morcegos e macacos. Não é confirmada, até o momento, a transmissão por aerossóis.

Precauções e Tratamento

O isolamento dos pacientes é uma eficiente medida de proteção já que o tratamento específico ainda é objeto de pesquisas. Medidas de suporte precoces como hidratação e cuidados intensivos são muito importantes e fazem grande diferença na mortalidade. Entretanto, há que se chamar a atenção para o caso dos dois agentes sanitários americanos recentemente submetidos a uma terapia experimental para o tratamento da doença contraída em campo. Kent Brantly e Nancy Writebol contraíram a Febre Hemorrágica do Ebola na Libéria trabalhando em uma organização cristã de auxílio às vítimas da doença. Apesar do protesto absurdo de alguns sobre a repatriação de americanos infectados, o fato é que, baseados em um relato de caso no qual o soro de pacientes sobreviventes conseguira reverter a doença, um consórcio de pesquisadores conseguiu desenvolver uma solução com anticorpos monoclonais contra determinados antígenos imunogênicos do vírus e curar os dois missionários, fato amplamente divulgado na mídia.

Futuro

Não é impossível que a Febre Hemorrágica do Ebola desembarque no Brasil. Contam a nosso favor, seu modo peculiar de transmissão, seus possíveis reservatórios (ausentes aqui?), nossa experiência em tratar a dengue hemorrágica e nosso sistema de saúde, que se não é a segunda maravilha do mundo, é bastante superior e estruturado comparado ao da maioria dos países africanos. Contra nós, pesa nossa eterna ineficiência sanitária e as grandes conglomerações nas cidades.

De vez em quando, uma epidemia qualquer com “potencial” de extermínio da humanidade “aporta” neste blog. Gosto de citar como exemplo minha pior experiência com tais epidemias que foi com a Síndrome de Weil, a forma hemorrágica da leptospirose humana, na epidemia ocorrida em São Paulo no final dos anos 90. Naquela época, de enchentes, diga-se de passagem, a doença transmitida pela convivência promíscua com roedores, atingiu em cheio a parte mais pobre da população. Ver homens, mulheres e crianças em macas sangrando por quase todos os orifícios foi das minhas piores vivências que tive como médico. Passou. Estamos aqui. No caso do Ebola, já temos até o caminho a seguir para conseguir a cura. Resta saber se as instituições envolvidas na descoberta do “soro mágico” contra a doença possibilitem sua oferta para quem mais necessita. Isso sim, a possibilidade de me decepcionar uma vez mais com a espécie humana, me dá um medo desgraçado.

Bibliografia

ResearchBlogging.orgFeldmann, H., & Geisbert, T. (2011). Ebola haemorrhagic fever The Lancet, 377 (9768), 849-862 DOI: 10.1016/S0140-6736(10)60667-8

ResearchBlogging.orgPeters, C., & LeDuc, J. (1999). An Introduction to Ebola: The Virus and the Disease The Journal of Infectious Diseases, 179 (s1) DOI: 10.1086/514322

ResearchBlogging.orgMupapa, K., Massamba, M., Kibadi, K., Kuvula, K., Bwaka, A., Kipasa, M., Colebunders, R., Muyembe‐Tamfum, J., & , . (1999). Treatment of Ebola Hemorrhagic Fever with Blood Transfusions from Convalescent Patients The Journal of Infectious Diseases, 179 (s1) DOI: 10.1086/514298

Fonte: science

13 março, 2014

VOO MH370: ENVIADO AVIÃO DE RECONHECIMENTO À ZONA COM ‘OBJETOS FLUTUANDO’


KUALA LUMPUR, 13 março 2014 (AFP) – As autoridades da Malásia informaram nesta quinta-feira que enviaram um avião de reconhecimento para a zona em alto mar onde um satélite chinês fotografou grandes “objetos flutuantes“, a procura de destroços do Boeing 777 da Malaysia Airlines. ”Um Bombardier foi enviado para investigar as imagens de destroços detectados por um satélite chinês”, assinalou o ministro malaio dos Transportes, Hishammuddin Hussein, no Twitter. O voo MH370 desapareceu na madrugada de sábado, com 239 pessoas a bordo, quando cobria a rota entre Kuala Lumpur e Pequim.

A China anunciou na quarta-feira que um de seus satélites detectou três “objetos flutuantes” de certo volume em uma zona marítima na qual poderia ter desaparecido o Boeing da Malaysia Airlines. A agência chinesa de ciência e tecnologia informou que o satélite já havia detectado os mesmos objetos na manhã do dia 9 de março, “em uma zona marítima onde o avião poderia ter caído”.

Os objetos flutuantes foram detectados em alto mar, a 105,63 graus de longitude leste, e 6,7 graus de latitude norte, segundo o site da agência chinesa. Os objetos medem 13 x 18 metros, 14 x 19 e 24 x 22, e estão dispersos por um raio de 20 quilômetros.

Oficiais americanos informaram nesta quarta que os satélites espiões dos Estados Unidos não detectaram sinais de explosão em voo por ocasião do desaparecimento do Boeing da Malaysia Airlines. O governo dos EUA já utilizou sua rede de satélites para detectar sinais de calor relacionados a explosões de aviões, mas desta vez não encontrou qualquer vestígio térmico, informaram os oficiais, que pediram para não ser identificados. A ausência de vestígios de explosão só aumenta o mistério sobre o que ocorreu com o voo MH370.

Fonte: emresumo

'É um milagre estar viva', diz menina estuprada e esfaqueada no Amapá

Uma jovem de 13 anos, moradora do bairro Pacoval, na Zona Norte de Macapá, diz que ainda tenta esquecer o que viveu na madrugada de 7 de fevereiro de 2014. Nesse dia, ela foi estuprada por quatro homens e esfaqueada ao menos 16 vezes , em uma área de ponte no bairro onde mora. Os homens a arrastaram até o quintal de uma casa. Se fingindo de morta, a jovem conta que esperou alguns minutos até conseguir chamar a atenção de um morador e pedir socorro.


Depois de ficar internada por duas semanas no Hospital de Emergências (HE) da capital, a adolescente voltou para casa e acredita que 'foi um milagre' a própria sobrevivência. "Eu ainda choro quando lembro do que aconteceu, e penso que foi um milagre não ter morrido com tudo isso. Agora, eu só quero esquecer", disse a menina, ainda muito abalada.

De acordo com a Polícia Civil, três suspeitos foram detidos e um está foragido. Um dos detidos é menor de idade. Os adultos devem responder por estupro e tentativa de homicídio, e o adolescente, por ato infracional análogo ao crime de estupro.
Os quatro homens teriam estuprado e esfaqueado a menina 16 vezes, conforme apontou o inquérito policial, que já foi encaminhado ao Ministério Público do Estado do Amapá (MP/AP). Um cabo de vassoura ainda foi deixado na genitália da garota, provocando uma lesão no útero. A menina passou por uma cirurgia reparadora na região lesionada , ainda no dia do crime.


"Eu lembro deles me dando facadas, e depois me arrastando para trás de uma casa. Eles só pararam quando eu me fingi de morta. Nesse momento, todos fugiram e eu consegui pedir ajuda ao dono do local onde me largaram", relatou a adolescente, ainda emocionada.
A menina contou que nunca havia visto nenhum dos quatro suspeitos. Ela os conheceu na noite do crime, quando aceitou o convite de duas amigas para ir a uma festa em uma casa no bairro onde mora. Na ocasião, a vítima se recusou a ingerir bebida alcoólica, o que, segundo ela, teria provocado a raiva dos suspeitos.
"Me forçaram a beber, mas eu não quis. Acho que foi por causa disso que eles fizeram essas 'coisas' comigo", disse a jovem.

Justiça 
"Quero Justiça e sonho ver todos esses homens presos para sempre. Tenho medo, e não perdoo nenhum. Se eu encontrar com eles só vou chorar", disse a menina.
"Agora, eu peço que as autoridades nos ajudem a fazer Justiça. Não temos condições de contratar advogado, mas acreditamos que eles serão todos condenados por essa maldade que não tem perdão", disse a avó, uma dona de casa de 47 anos.


Mudança 
Depois de sair do hospital, onde passou a metade de fevereiro internada, a menina, que era descrita pelos familiares como uma moça alegre, mudou sua rotina. 'Pega-pega' e 'esconde-esconde', brincadeiras preferidas da adolescente, deixaram de fazer parte dos fins de tarde no bairro onde mora. Atualmente, ela passa a maior parte do tempo em frente à TV.

"Eu gostava de brincar de várias coisas na ponte. Hoje, eu não brinco mais por causa do que aconteceu comigo. Perdi a vontade de quase tudo", lamentou.
"O jeito dela mudou muito. Ela acordava às 5h da manhã, sempre com vontade de ir à escola, algo que não vemos agora. Hoje, tem vontade de ir, mas tem vergonha de sair na rua", contou a avó.

Fonte: G1

12 março, 2014

POLÍCIA TRABALHA COM 4 HIPÓTESES PARA SUMIÇO DO AVIÃO DA MALAYSIA AIRLINES


De acordo com o jornal The Star, a polícia da Malásia tem quatro hipóteses para desvendar o desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines. “Estamos trabalhando com quatro linhas: sequestro, sabotagem, problemas psicológicos de passageiros ou de algum membro da tripulação ou ainda desentendimentos entre passageiros e tripulação”, declarou a inspetora-geral da polícia, Datuk Aloyah Mamat.

A inspetora afirma estar trabalhando com todas as possibilidades, até mesmo que algum passageiro no voo tivesse uma apólice de seguro muito valiosa e quisesse deixar o dinheiro para a família, por exemplo. Mamat acrescentou que todos os registros das câmeras do aeroporto de Kuala Lumpur estão sendo analisados, de forma a “estudar o comportamento das pessoas que embarcaram.” Além das quatro linhas de investigação, o setor aéreo está apurando se houve problemas mecânicos na aeronave.

Fonte: emresumo.com

08 março, 2014

Polícia diz que suspeitos de estuprar menina riram ao confessar crime

Foram presos na madrugada deste sábado (8), três suspeitos do estupro a uma menina de 13 anos, ocorrido na sexta-feira (7), em uma área de ponte no bairro Pacoval , Zona Norte de Macapá. A vítima levou 16 facadas pelo corpo após o abuso sexual. 

Dois menores de 17 anos e Cezar Quaresma, de 24 anos, foram localizados em via pública, durante ronda policial. Quaresma negou envolvimento no crime durante depoimento na Delegacia da Mulher, neste sábado. 
O quarto suspeito de participação no crime, um homem de 25 anos, continua foragido, segundo a polícia, que informou que todos os suspeitos têm passagem pela polícia.

Os menores apreendidos foram encaminhados para a Delegacia de Investigação de Atos Infracionais (Deiai). Cezar Quaresma aguarda na Delegacia da Mulher a emissão do laudo pericial feito na vítima.

A adolescente permanece internada no Hospital de Emergências de Macapá (HE). A menina teve o fígado e a vesícula perfurados, além de lesões no útero. Segundo os médicos, ela não corre risco de morte.
Josilene dos Reis, tia da jovem, contou que a sobrinha estava na casa de amigas e foi chamada por um dos suspeitos para ir até o local do crime. Ao se recusar, a menor teria sido levada à força.

Segundo a polícia, o cabo de uma vassoura foi deixado pelos agressores na genitália da garota. Durante a abordagem, os dois menores apreendidos confessaram o crime e 'chegaram a rir' da situação, conforme informou a polícia. 'Eles não demonstraram pena', reforçou o Cabo Lourival Júnior, do 6° Batalhão de Polícia Militar. 


O crime 
Segundo Lourival Júnior, a menina foi abordada por um dos suspeitos que a levou para uma área de mata. "Ela foi estuprada por todos, que, em seguida, a esfaquearam por pura perversidade, não havia motivo algum para a violência".
"Ao pensar que a menor havia morrido, os suspeitos fugiram do local e a adolescente se arrastou até próximo a uma rua, quando foi avistada por uma moradora. Esse percurso em que ela se arrastou após ser esfaqueada, foi todo com o cabo de vassoura na genitália", afirmou o PM, acrescentando que os suspeitos devem ser indiciados por estupro e tentativa de homicídio.

Fonte: G1

04 novembro, 2013

As investigações de cenas de crimes no Brasil

por Julia Layton - traduzido por HowStuffWorks Brasil

“Não alterar a cena do crime”. Essa frase é ouvida diariamente por policiais civis e militares. E cuidar para que isso aconteça é muito importante até a perícia chegar ao local. No Brasil, no entanto, são comuns os casos de alteração da cena do crime.

Ao chegar, a polícia deve cuidar para que nenhuma prova seja retirada e que a cena não seja alterada. Quanto mais o local estiver igual ao momento em que aconteceu o crime, mais fácil será o trabalho da perícia, que é fundamental para a comprovação de como ocorreu o crime e buscar provas que levem ao seu autor. Marco Antonio Desgualdo, um dos mais experientes investigadores da Polícia Civil de São Paulo, observava tudo, ajudando a verificar o que poderia ter ocorrido no local. “O cadáver fala”, dizia Desgualdo. No corpo da vítima é possível encontrar algumas importantes pistas. Por exemplo: se houve luta, sob as unhas do morto pode haver pele do assassino. Fios de cabelo e pêlos do corpo no local também podem indicar o criminoso. Por isso, toda a atenção é necessária. Muitas vezes, sabendo desses detalhes, os assassinos tentam mascarar a cena do crime e até tomam alguns cuidados, como teriam feito Suzane Richthofen e o namorado dela, Daniel Cravinhos, que, com a ajuda do irmão de Daniel, Christhian, foram condenados por matar o pai e a mãe da moça, enquanto eles dormiam, em 2002.

Estudante de direito, ela planejou tudo, comprando, inclusive, meias femininas que eles colocaram nas pernas, mãos e cabeça. O objetivo era não deixar os pêlos dos assassinos no quarto do casal, o que levantaria a suspeita da polícia. No caso dela, este recurso deu certo porque não foram encontrados nem pêlos nem cabelos no local, mas o resto do plano falhou e ela foi condenada e presa e acabou confessando o crime. O namorado e o irmão dele também foram detidos.


Em outro caso, foi possível desvendar um assassinato pelas marcas deixadas pelo calçado do criminoso. O homicida, ao fugir do local, pisou com seu tênis no sangue da vítima e deixou marcas no chão. A perícia descobriu o número do tênis e o modelo.  A polícia, então, fez a sua parte e achou o suspeito: um aluno que matou o professor no apartamento dele, em São Paulo. Assassino literalmente pego pelo pé.

Mais um exemplo da importância da perícia e como ela pode ser fundamental na solução de um crime é o casao de uma mulher encontrada morta na banheira do seu apartamento. Foi o noivo quem encontrou o corpo. A perícia constatou que não tinha sido acidente, porque havia água nos pulmões, o que significava que ela tinha sido afogada.

O noivo passou a ser o principal suspeito. Ele contou que chegou ao apartamento às 20h e que ela já estava morta, tendo chamado a polícia imediatamente. O horário do telefonema dado à polícia batia - foi às 20h04. Mas a versão do noivo caiu por terra quando o porteiro disse que o tinha visto chegar às 18h, e não às 20h. A perícia comprovou que a morte tinha ocorrido por volta das 18h15, colocando o rapaz na cena do crime. Foi através da decantação do sabonete no corpo que a perícia determinou a hora da morte, um trabalho minucioso que levou o assassino para a cadeia. Sem saída, ele acabou confessando que matou a noiva porque estava apaixonado por outra mulher.

Antigamente, a perícia brasileira tinha poucos equipamentos adequados - por exemplo, para recolher impressões digitais passavam um pó para localizar uma digital e a “recolhiam” num pedaço de durex. Os peritos andavam com água oxigenada no bolso para jogar sobre manchas e verificar se era sangue. Se a água oxigenada “fervesse” era sangue.

Hoje as coisas estão mais fáceis, modernas e sofisticadas. O Instituto de Criminalística de São Paulo, por exemplo, tem equipamentos de última geração similares a algumas usadas pelo FBI ou em séries policiais, como Law&Order ou C.S.I.

Há um microscópio, chamado de “microscópio de varredura” que é capaz de encontrar um grão de areia nas roupas de alguém. Já houve casos em que o assassino negou o crime, mas foi pego porque a terra encontrada na roupa dele (mesmo depois de ele a ter lavado) era do mesmo tipo da terra onde foi encontrado o corpo da vítima.


No famoso caso do assassinato do coronel Ubiratan, morto em setembro de 2006 em São Paulo, a perícia foi fundamental para dar subsídios às investigações, ao determinar a hora do crime, a posição do atirador e ao não encontrar no apartamento nenhuma digital que não pertencesse ao próprio coronel ou à noiva dele.

Um recurso importante usado atualmente pela perícia é o “luminol” (que a gente vê com freqüência em filmes policiais). É uma substância especial, que substituiu a artesanal água oxigenada. Quando colocada sobre uma mancha de sangue, ela fica fluorescente, azulada. Mesmo que o criminoso ou os criminosos limpem o local, o luminol consegue mostrar que ali havia sangue.

A morte de Isabella Nardoni, de cinco anos, em 29 de março de 2008, causou comoção nacional e provocou discussões sobre a importância da perícia num caso  como este. Também evidenciou a importância dos acertos dos peritos que ajudam a polícia a desvendar o crime - e o perigo de “enganos” por parte dela.

A polícia considerou o pai da menina, Alexandre Nardoni, e a madrasta dela, Anna Carolina Jatobá, os responsáveis pela morte. Os dois, apesar de indiciados, negam o crime e não há nenhuma testemunha ocular, alguém que tenha presenciado o fato, de forma que o trabalho da perícia era fundamental neste caso, no qual mais de 60 pessoas prestaram depoimento, mas nenhuma disse ter visto o crime acontecer. As provas colhidas são circunstanciais, o que, para os assassinos (sejam ou não o pai e a madrasta) pode ser um trunfo, uma carta na manga. Mas quando somadas essas provas podem formar um conjunto probatório forte e contribuir para a decisão da Justiça.



Neste caso a perícia enfrentou um problema grave, provocado por falha da polícia: a cena do crime não foi preservada, regra número um em qualquer caso. Policiais entraram no apartamento antes da perícia e permitiram que outras pessoas também ingressassem no local. A perícia só chegou ao local três horas depois do crime, quando muita gente já tinha entrado no apartamento. Mas apesar disso os peritos afirmaram que foi possível trabalhar, e as conclusões que tiraram, em sua maioria, auxiliaram a polícia, que pediu o indiciamento dos dois pela morte de Isabella.

Os acertos da perícia:


  • No local foi encontrada uma fralda, suja de sangue. Apesar do pouco material, foi feito exame de DNA, e a perícia constatou que era da menina. A polícia concluiu que a fralda teria sido usada para estancar o sangue que saiu de um pequeno corte que ela tinha na testa e questionou: como ela se machucou? Foi machucada? A perícia técnica também comprovou que eram dela os pingos de sangue encontrados em outros ambientes do apartamento, como cozinha, sala e quarto.
  • Uma prova considerada muito importante pelo delegado que presidiu o caso foi uma marca de solado de sapato encontrada pelos peritos na cama do quarto, perto da janela de onde a menina foi atirada. Exames minuciosos e com uso de equipamentos especiais constataram que a marca é idêntica à de um calçado de Alexandre, o pai, sugerindo que ele se apoiou sobre a cama para jogar a garota para baixo. Na camiseta usada por ele no dia do assassinato os peritos encontraram minúsculos e quase invisíveis pedaços da rede de proteção colocada na janela de onde a menina foi atirada. A rede foi rasgada para que o corpo pudesse passar pelo vão e ser arremessado para baixo, do sexto andar, onde o casal morava com outros dois filhos. Foi o “microscópio de varredura” que detectou os fragmentos da rede na roupa do pai.
  • Foram também exames periciais que concluíram que a garotinha foi asfixiada e que quando foi jogada pela janela ainda estava viva (mas inconsciente), tendo morrido em decorrência da queda, quando quebrou o punho e a bacia.
  • A perícia confirmou que havia pingos de sangue de Isabella no carro da família, na cadeirinha do bebê, num estofado atrás do banco do motorista e entre os bancos. 
  • Ainda de acordo com a perícia, Alexandre Nardoni teria passado as pernas e depois o tronco de Isabella pelo buraco feito na tela de proteção da janela. Os técnicos ainda descobriram que o pai teve que empregar grande força para segurar a filha pelos braços, pois havia fibras da rede de proteção da janela fortemente presas à camisa dele. Por último a perícia ainda percebeu marcas que teriam sido feitas pelo corpo de Isabella do lado de fora da janela, logo abaixo do parapeito, mostrando o esforço que Alexandre teria feito antes de jogá-la.

Mas, se acertou muito no trabalho, a perícia errou ao divulgar que na roupa do pai havia vômito da menina, informação divulgada por emissoras de TV e outros veículos de comunicação. Passados 15 dias, o Instituto de Criminalística voltou atrás e desmentiu a informação, negando que a mancha amarela encontrada nas roupas do pai fosse do vômito da menina.

Enganos da perícia, por menores que sejam, podem contribuir para que a defesa de acusados se beneficie.


O caso PC Farias e a manipulação da cena do crime

Já no caso da morte de Paulo César Farias, tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Melo, alterar a cena do crime foi fatal para a perícia, que pouco pôde analisar depois que tudo foi remexido. O mais incrível da história é que os seguranças de Paulo César, conhecido como “PC”, eram policiais e nem assim se preocuparam em manter o local.

PC e a namorada dele, Suzana Marcolino, foram mortos em 23 de junho de 1997, na casa em que PC morava, em Maceió, Alagoas. Cada um levou um tiro.

Quando a perícia chegou à casa tudo tinha sido mexido e alterado. Colchão e lençóis tinham  sido queimados, o local lavado. Foi um caso que causou uma grande polêmica.

Peritos locais de Maceió concluíram que PC e Suzana foram assassinados. A polícia não deu crédito a eles e preferiu contratar os trabalhos de um perito criminal de São Paulo, Fortunato Badan Palhares, na época muito famoso por ter trabalhado em grandes casos. Apesar de encontrar tudo totalmente diferente do dia do crime, Badan afirmou que era possível fazer  uma boa perícia, baseando-se em uma marca de bala na parede, que segundo ele definiria a trajetória do tiro. Usou feixes de luzes e outras artimanhas, fez teste acústico de balística (foram disparados tiros dentro do quarto para saber se era possível ouvi-los estando no jardim, onde estavam os seguranças de PC, que alegaram não ter ouvido nenhum dos dois disparos) e até compararam a altura de Suzana à altura de onde estava a marca de bala. Concluiu o perito paulista que ela atirou no namorado e depois se matou.
Os peritos de Maceió protestaram muito, uma vez que a conclusão de Badan Palhares era totalmente diferente da conclusão deles.
O caso, até hoje, gera discussão e deixou dúvidas. Poucos acreditaram na conclusão de Badan e uma reportagem, publicada pela Folha de S.Paulo, causou mais polêmica ao caso. O jornal mostrou que os cálculos do perito paulista, em relação à trajetória da bala, estavam totalmente errados porque ele errou na altura da moça. O perito declarou no laudo que ela atirou no namorado e que tinha certeza de que tinha sido ela porque comparou a altura da moça com a altura da bala que  ficou na parede. Ora, se ele não sabia a altura certa dela , a conclusão sobre a direção da bala estava errada, e conseqüentemente a conclusão também.


O caso foi parar na Justiça e Badan chegou a ser processado por imperícia, mas o caso acabou arquivado.

Fonte: HSW

Veja também: Ciência forense: analisando as provas
                     6 invenções de guerra que a gente usa hoje em casa

03 novembro, 2013

Ciência forense: analisando as provas

por Julia Layton - traduzido por HowStuffWorks Brasil

O primeiro laboratório forense dos Estados Unidos foi fundado em 1923, em Los Angeles. Em 1932, o FBI estabeleceu o seu próprio laboratório forense para atender os departamentos de polícia e outras autoridades na área da investigação em todo o país. O laboratório do FBI é um dos maiores do mundo.

O Denver Crime Lab, no Colorado Bureau of Investigation, disponibiliza a coleta de evidências e a análise laboratorial para qualquer departamento de polícia no Colorado que solicite os serviços. Também conduz investigações no âmbito estadual que não estão sob a jurisdição de qualquer autoridade local.



Alguns departamentos especializados do Denver Crime Lab incluem:

Impressões digitais latentes e marcas
Revelar impressões digitais latentes; analisar e comparar impressões digitais, marcas de calçados e pneus; passar as impressões digitais pelo Sistema de Identificação Automatizado de Impressões Digitais (AFIS, que utiliza o banco de dados do FBI) comparando-as com centenas de milhões de impressões digitais. 
Vestígios
Fazer análise de resíduos de pólvora; identificar e comparar amostras de solo, vidro, pêlos e tinta.
Química
Conduzir análises e comparações de drogas ilícitas, explosivos e produtos químicos desconhecidos.
Crimes no computador
Recolher evidências em computadores; fazer um levantamento em computadores para encontrar evidências de áudio ou vídeo.
Identificação de armas de fogo e marcas de ferramentas
Identificar as armas de fogo; testá-las para determinar o modelo do cano e a distância entre a arma e o ferimento; identificar e comparar os projéteis, estojos e marcas causadas pelas ferramentas.
Sorologia e DNA
Conduzir exames dos fluidos corporais, incluindo exame de DNA das manchas de sangue, esperma e cabelo, para identificação e comparação. 
Exame de documentos
Detectar falsificações e alterações; conduzir comparações de caligrafia; reconstruir documentos inutilizados; identificar e comparar impressoras, máquinas de datilografia ou copiadoras usadas para produzir um documento.



Muitas vezes, uma evidência passa por mais de um departamento para análise. Cada departamento fornece um relatório completo da evidência analisada, incluindo os resultados concretos (números, medidas, conteúdo químico) e conclusões que os cientistas emitiram para estes resultados. O perito encarregado pode compilar os resultados e entregá-los para o detetive chefe do caso, ou o laboratório pode remeter os resultados diretamente para o grupo de detetives. 

Desempenhando a sua função
O papel de um perito em cena de crime não termina quando ele conclui o seu relatório. Não termina nem quando os resultados do laboratório relacionados a esta evidência são entregues aos detetives do caso. A maior parte do trabalho do perito consiste em testemunhar no tribunal sobre a evidência que ele coletou, os métodos que usou e o número de pessoas que estiveram em contato com ela antes que terminasse como "Prova Documental D" da acusação. E a função do advogado de defesa é atacar a evidência, o que às vezes significa atacar a pessoa que a coletou. Por isso, os mandados de busca e apreensão, registros de evidências, fotografias e relatórios extremamente detalhados são tão cruciais no processo da investigação. A defesa tentará incriminar cada evidência apresentada no tribunal. A legalidade da busca, a preservação sem máculas da prova e a completa e incontestável documentação do local do crime são as considerações mais importantes numa investigação da cena do crime.

Para se tornar um investigador
Os peritos trabalham por várias horas, devem estar disponíveis para emergências 24 h por dia e 7 dias por semana e, geralmente, lidam com cenas repulsivas. Para Joe Clayton, o seu trabalho como perito significa um constante lembrete da desumanidade do homem para com o homem. Mas ele vê o seu trabalho como uma oportunidade de usar a ciência para ajudar as pessoas.

Os peritos podem ser policiais ou civis. A maneira mais fácil de se tornar um perito é se tornar primeiro um policial e depois receber treinamento para fazer investigações. Cada departamento da polícia e entidade ligada ao cumprimento da lei possui critérios diferentes. Normalmente, um perito civil deveria ter graduação de 2 a 4 anos. O Sr. Clayton não é policial. Ele se formou na faculdade e é bacharel em biologia e especialização em química e em ciências do comportamento humano. Ele se candidatou para a posição de perito no Kansas Bureau of Investigation e recebeu o seu treinamento lá.

Ligue para o departamento de polícia ou laboratório criminal local para saber quais são as exigências para o cargo de perito civil. Antes de decidir exercer esta função, você deve visitar o necrotério e olhar um corpo mutilado. Se você passar no teste, considere uma nova carreira. 

Peritos e o seriado CSI

Então Hollywood está certa? Quando perguntado se o programa de TV "CSI" descreve precisamente o seu trabalho, a breve resposta de Joe Clayton foi: não. A resposta mais longa foi de que o programa mostra com precisão certos aspectos da investigação da cena do crime, mas deixa muita coisa de fora e acrescenta outras coisas porque, afinal, é Hollywood. Os espectadores não querem assistir a um grupo de peritos aguardando um mandado de busca e apreensão, e provavelmente ficariam insatisfeitos se não vissem o suspeito.

Cientificamente falando, o seriado CSI às vezes perde o fio da meada. Na realidade, não é possível colocar no ar um seriado de duas horas falando de morte. Também não é somente escanear uma impressão digital e aguardar até que uma foto do suspeito seja exibida. Os softwares de comparação de impressões digitais trazem várias combinações possíveis que o especialista deve examinar visualmente para determinar qual é a combinação correta.

Hollywood também interpreta erroneamente os processos investigativos. Os peritos da cena do crime quase sempre obtém mandados antes de fazer buscas no local. O único local que pode não exigir mandado é o apartamento próprio da vítima, onde morou sozinha e nunca compartilhou o espaço com ninguém. Isto significa que há muita espera envolvida, é raro o perito chegar no local e começar a vasculhar. O que geralmente acontece é o perito chegar e determinar que áreas precisam ser vasculhadas, e depois alguém obtém a autorização do promotor público, que obtém a autorização do juiz, que assina qualquer mandado de busca e apreensão solicitado. Uma vez que o promotor público traz os mandados para o local, a busca começa.

E a busca foca a evidência e não os vizinhos da vítima. O perito não lida com testemunhas ou suspeitos. Eles não entrevistam as pessoas no local, não interrogam ninguém e definitivamente não perseguem o criminoso. Estas tarefas são dos detetives que estão no caso. Também, é muito raro para um perito conduzir toda a investigação do início ao fim, mesmo quando estamos falando somente sobre evidências. Há muitas pessoas envolvidas na coleta e análise de evidências, incluindo investigadores, especialistas forenses, médicos legistas e detetives. É muito raro um perito experiente e especializado fazer tudo isto.


Na opinião do Sr. Clayton, programas como o seriado CSI não estão tornando os criminosos mais espertos. A verdade é que a investigação da cena do crime e a ciência forense estão sempre tentando capturar os criminosos e não o contrário. E embora haja crimes premeditados, a experiência do Sr. Clayton prova que a maioria dos crimes violentos é cometida no calor do momento. O criminoso está agitado, possivelmente sob a influência de drogas ou álcool, e não tem desenvoltura para cobrir os seus rastros. É raríssimo que um "gênio do crime", que tenha conhecimento da cência forense, cometa um assassinato perfeito e se livre dele. 

Fonte: HSW

Veja também: Coleta de provas
                       As investigações de cenas de crimes no Brasil

02 novembro, 2013

Coleta de provas

por Julia Layton - traduzido por HowStuffWorks Brasil

Ao coletar provas da cena de um crime, o perito tem vários objetivos em mente: reconstituir o crime, identificar a pessoa que o cometeu, preservar a prova para análise e coletá-la para que seja aceita pela justiça.

Vestígios
Os vestígios podem incluir resíduo de pólvora, resíduo de tinta, produtos químicos, vidro e drogas ilícitas. Para coletar a evidência de marcas, o perito pode usar pinças, recipientes plásticos com tampa, um dispositivo a vácuo filtrado e uma faca. Ele também terá um kit para análises de risco contendo luvas de látex, botinas, máscara facial e jaleco descartáveis e um saco para lixo.

Se o crime envolver uma arma de fogo, o perito irá coletar as roupas da vítima e de qualquer pessoa que tenha estado no local do crime para que o laboratório possa verificar a presença de resíduos de pólvora. A presença destes resíduos na vítima pode indicar um tiro à queima roupa. Em outra pessoa, pode indicar um suspeito. O perito coloca todas as roupas em sacos de papel lacrados para o transporte ao laboratório. Se ele encontrar qualquer droga ilícita ou pó desconhecido, pode coletá-los usando uma faca e em seguida lacrar cada amostra em um recipiente esterilizado separado. O laboratório pode identificar a substância, determinar a sua pureza e descobrir o que mais está presente na amostra e em que quantidades. Estas análises podem determinar se havia posse ou adulteração de drogas ou se a composição poderia ter matado ou incapacitado uma vítima.

Os técnicos descobrem muitas evidências de um crime no laboratório quando sacodem roupas de cama, roupas, toalhas, almofadas de sofá e outros itens encontrados no local. No CBI Denver Crime Lab, os técnicos sacodem estas peças em um quarto esterelizado, sobre uma grande tábua branca coberta com papel. 

Os técnicos mandam qualquer vestígio encontrado para o departamento apropriado. No Denver Crime Lab, terra, vidro e tinta permanecem no laboratório de vestígios; drogas ilícitas e substâncias desconhecidas seguem para o laboratório de química e o cabelo vai para o laboratório de DNA.

Fluidos corporais
Os fluidos corporais encontrados no local do crime podem ser sangue, esperma, saliva e vômito. Para identificar e coletar estas evidências, o perito pode usar lâminas de esfregaço, bisturi, pinças, tesouras, panos esterilizados, luz ultravioleta, óculos protetores e luminol. Ele também pode usar um kit de coleta de sangue para obter amostras dos suspeitos ou de uma vítima viva, para realizar a comparação.

Se a vítima está morta, mas há sangue no corpo, o perito coleta uma amostra através de um pedaço da roupa ou do uso de um pano esterilizado e uma pequena quantidade de água destilada. O sangue e a saliva coletados do corpo podem pertencer a outra pessoa e o laboratório irá realizar um exame de DNA para compará-los com o sangue ou a saliva retirados de um suspeito. O perito também irá raspar as unhas da vítima em busca de pele. Se houve luta, a pele do suspeito (e portanto, seu DNA) pode estar sob as unhas da vítima. Caso haja sangue seco em qualquer móvel no local do crime, o perito tentará enviar o móvel inteiro para o laboratório. Não é raro encontrar evidências no sofá, por exemplo. Se o sangue estiver sobre alguma coisa que não pode ser levada ao laboratório, como uma parede ou banheira, o perito pode coletá-lo em um recipiente esterilizado através da raspagem com um bisturi. O perito pode usar também o luminol e uma luz ultravioleta portátil para revelar se o sangue foi lavado de uma superfície.


Caso haja sangue no local, também pode haver amostras de respingos de sangue. Estas amostras podem revelar que tipo de arma foi usada, por exemplo, uma “amostra de pingos de sangue espalhados” é absorvida quando uma coisa como um bastão de beisebol entra em contato com uma fonte de sangue e então retorna ao ponto inicial. Os pingos são grandes e geralmente têm a forma de uma lágrima. Este tipo de amostra pode indicar golpes múltiplos de um objeto obtuso, porque o primeiro golpe não entra em contato com o sangue. Uma amostra de alta energia, por outro lado, é feita de muitos pingos minúsculos e pode indicar um tiro de arma de fogo. As análises das amostras de sangue podem indicar de que direção o sangue veio e quantos incidentes separados criaram esta amostra. Analisar uma amostra de sangue envolve o estudo do tamanho e formato da mancha, o formato e o tamanho dos pingos de sangue e a concentração de pingos dentro de uma amostra. O perito tira fotografias da amostra e chama um especialista para analisá-la.

Cabelo e pêlos
O perito pode usar pentes, pinças, recipientes e um dispositivo a vácuo filtrado para coletar cabelos ou pêlos no local. No caso de estupro com uma vítima viva, o perito acompanha a vítima ao hospital para obter os cabelos ou pêlos encontrados no corpo dela durante o exame médico. O perito lacra as evidências de cabelos ou pêlos em recipientes separados para transportar ao laboratório.

O perito pode recuperar pêlos de carpete dos sapatos de um suspeito. O laboratório pode compará-los aos pêlos do carpete da casa da vítima. Os examinadores podem usar o DNA do cabelo para identificar ou eliminar suspeitos por meio de comparação. A presença de cabelo em uma ferramenta ou arma pode identificar se ela foi usada no crime. O laboratório criminal pode determinar a que tipo de animal pertenceu o cabelo e, caso seja humano, determinar a raça da pessoa, em que parte do corpo o cabelo estava, se o cabelo caiu ou se foi arrancado e também se foi pintado.

Impressões digitais
As ferramentas para recuperar impressões digitais incluem escovas, alguns tipos de pó, fita adesiva, produtos químicos, cartões de impressão, lente de aumento e vapor de super cola. O laboratório pode usar as impressões digitais para identificar a vítima, identificar um suspeito ou inocentá-lo. Há vários tipos de impressões digitais que o perito pode encontrar na cena do crime:


  • visíveis: deixadas pela transferência de sangue, tinta, ou outro fluido ou pó sobre uma superfície lisa o suficiente para deter uma impressão digital, visível a olho nu;
  • moldadas: deixadas sobre um produto macio como sabonete, massa de vidraceiro ou vela de cera, formando uma impressão;
  • latentes: deixadas pelo suor e pela gordura natural dos dedos em uma superfície lisa capaz de deter uma impressão digital, não visível a olho nu.

Um criminoso pode deixar impressões digitais em superfícies porosas ou não porosas. Papel, madeira inacabada e cartolina são superfícies porosas que irão deter uma impressão digital e vidro, plástico e metal são superfícies não-porosas. O perito irá procurar impressões digitais latentes em superfícies onde o criminoso provavelmente tocou. Por exemplo, se há sinais de entrada forçada na porta da frente, a maçaneta do lado de fora e a superfície da porta são lugares lógicos para se procurar impressões digitais. Respirar sobre a superfície ou iluminá-la com uma luz muito forte poderá fazer com que a impressão digital latente fique temporariamente visível. Quando você vê um detetive de TV girar a maçaneta usando um lenço, ele provavelmente está destruindo uma impressão digital latente. A única maneira de não alterar uma impressão digital latente em uma superfície não porosa é não tocá-la. Os métodos apropriados para se recuperar uma impressão digital latente incluem os itens abaixo.


  • Pó (para superfícies não porosas): pó prata metálico ou pó preto aveludado; o perito usa o pó que melhor contrasta com a cor do material onde está a impressão digital. Ele escova suavemente o pó sobre a superfície em movimentos circulares até que a impressão digital se torne visível; então, ele começa a escovar na direção das saliências da impressão digital. O perito tira uma foto da impressão digital antes de usar a fita adesiva para retirá-la, para que tenha um resultado melhor diante do tribunal. Ele gruda uma fita adesiva na impressão digital coberta de pó, descola a fita com um movimento suave e em seguida gruda-a em um cartão de impressões digitais que possui uma cor que contrasta com a cor do pó.
  • Produtos químicos (para superfícies porosas): iodo, ninidrina, nitrato de prata; o perito borrifa o produto químico sobre a superfície do material ou molha o material com uma solução química para revelar a impressão digital latente.
  • Fumigação com cianoacrilato (super cola) - para superfícies porosas ou não-porosas: o perito despeja super cola em um prato de metal e aquece a aproximadamente 49ºC. Ele então coloca o prato, a fonte de calor e o objeto contendo a impressão digital latente em um recipiente hermético. O vapor da super cola torna as impressões digitais latentes visíveis sem alterar o material sobre o qual elas estão.

Pegadas e marcas de ferramentas
Uma impressão digital latente é um exemplo de marca bidimensional. A marca de uma pegada na lama ou a marca de uma ferramenta no esquadro da janela é um exemplo de marca tridimensional. Se não for possível levar o objeto inteiro contendo a marca ao laboratório, o perito faz um molde no local. 

O kit para moldes pode conter múltiplos componentes (sulfato de cálcio dental, borracha de silicone), resina (para fazer molde em neve), uma tigela, uma espátula e caixas de papelão para guardar os moldes.


Se o perito encontrar uma marca de pegada na lama, ele irá fotografá-la e então fará um molde. Para preparar o molde, ele mistura o material com água em um saco do tipo ziploc e mexe por dois minutos até que se atinja a consistência de massa de panqueca. Ele então despeja a mistura na borda da pegada para que escorra a fim de evitar as bolhas de ar. Uma vez que o material cobriu a pegada, ele deixa repousar por 30 min no mínimo e em seguida retira cuidadosamente o molde da lama. Sem limpar ou escovar, o que poderia destruir qualquer evidência de pegadas, ele coloca o molde dentro de uma caixa de papelão ou saco de papel para transportá-lo ao laboratório.

Para marcas de ferramentas, o molde é mais difícil de se usar em comparação ao de pegadas. Se não for viável transportar a peça inteira contendo a marca de ferramenta, o perito pode fazer um molde com borracha de silicone e esperar pelo melhor resultado. Há dois tipos de marcas de ferramentas que o perito pode encontrar na cena do crime:


  • impressa: um objeto duro entra em contato com um objeto mais macio sem se mover para frente e para trás; por exemplo, uma marca de martelo no esquadro de uma porta. A marca que fica é o formato do martelo. É difícil fazer uma combinação definitiva quando há uma marca de ferramenta cunhada;
  • estriada: um objeto duro entra em contato com um objeto mais macio e se move para frente e para trás; por exemplo, marcas de pé-de-cabra no esquadro de uma janela. A marca da ferramenta é uma série de linhas paralelas. É mais fácil fazer uma combinação definitiva com uma marca de ferramenta estriada.


Na análise das marcas de ferramentas, o laboratório pode determinar qual o tipo de ferramenta que originou a marca e se a ferramenta em evidência é a mesma que causou a marca. Também pode comparar a marca de ferramenta em evidência com uma outra marca de ferramenta para determinar se as marcas foram feitas pela mesma ferramenta.

Armas de fogo
Se o perito encontrar armas de fogo, projéteis ou estojos (cartuchos) no local, ele põe as luvas, pega a arma pelo cano (e não pela coronha) e a embrulha separadamente para mandar ao laboratório. Os cientistas forenses podem descobrir números de série e combinar os projéteis e estojos não somente com a arma de onde saíram, mas também com os encontrados em outros locais de crimes dentro do estado; muitos dados balísticos têm abrangência estadual. Quando há perfurações provocados por projéteis em uma vítima ou outros objetos no local, os especialistas podem determinar de onde e de que altura estes foram disparados, assim como a posição da vítima ao ser atingida, usando um kit de trajetória a laser. Caso haja projéteis incrustados na parede ou na moldura da porta, o perito irá remover o pedaço da parede ou do madeiramento que contém o projétil, pois retirá-lo somente pode danificá-lo, tornando-o inadequado para comparação.

Documentos
O perito coleta e guarda diários, agendas de compromisso, agendas de telefones ou bilhetes de suicídio encontrados na cena do crime. Ele também entrega ao laboratório contratos assinados, recibos, uma carta rasgada encontrada no lixo ou qualquer outra evidência escrita, digitada ou fotocopiada que possa estar relacionada ao crime. Um laboratório especializado em documentos geralmente pode reconstruir um documento inutilizado, até mesmo um documento queimado, bem como determinar se o documento foi alterado ou não. Os técnicos analisam os documentos em busca de falsificações, fazem fotos de comparação da caligrafia da vítima e de suspeitos e identificam o tipo de máquina usada para produzir o documento. Eles podem descartar uma impressora ou fotocopiadora encontrada no local para determinar a compatibilidade ou incompatibilidade com uma máquina encontrada com um suspeito.

Quando o perito descobre uma evidência no local, ele a fotografa, registra, recolhe e põe uma etiqueta nela. A etiqueta pode incluir informações que ajudam na sua identificação tais como hora, data, e localização exata do material e quem o encontrou, ou pode simplesmente informar o número de série que corresponde a uma entrada no registro de evidências que contém esta informação. O relatório da cena do crime documenta o conjunto completo das evidências recolhidas do local, incluindo o registro fotográfico, registro das evidências encontradas e um relatório escrito que descreve a investigação do local do crime.

Coisas que você pode encontrar na van do investigador

No furgão do perito, você pode encontrar arco de serra, alicates, chave inglesa, uma alavanca, alicates de arame, cortadores de parafusos, pás, peneiras, um pequeno pé-de-cabra, uma faca de bolso, fitas métricas, bandeira sinalizadora na cor laranja, uma lanterna, baterias, giz, fórceps, garras, uma bússola, um imã, um detector de metais, água destilada, joelheiras e animais de pelúcia, no caso de haver vítimas infantis vivas. 

Fonte: HSW

Veja também: Na cena do crime: procurando provas e evidências
                       Ciência forense: analisando as provas

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